João Manuel Gonçalves Lourenço, presidente da República de Angola, assumiu a presidência rotativa da União Africana (UA) em fevereiro de 2025, marcando o início de um período significativo para a diplomacia africana. Desde o início de seu mandato, Lourenço se comprometeu a promover a paz, segurança e desenvolvimento sustentável no continente, alinhando suas ações aos objetivos da Agenda 2063 da UA. Seu foco inicial foi estabelecer a UA como um espaço de diálogo político e concertação estratégica, buscando soluções africanas para os desafios enfrentados pelo continente.

Um dos momentos mais destacados de sua presidência ocorreu em outubro de 2025, quando Lourenço representou a África na 2ª edição do Fórum Global Gateway em Bruxelas. Este evento, que reuniu líderes mundiais para discutir conectividade sustentável e parcerias estratégicas, foi uma oportunidade para Lourenço defender a posição africana em debates cruciais sobre desenvolvimento econômico e governança global. Sua participação reforçou a importância de uma cooperação que promova o crescimento inclusivo entre África e Europa.

Em novembro de 2025, Lourenço copresidiu a 7ª Cimeira União Africana-União Europeia (UA-UE) em Luanda, que celebrou 25 anos de parceria entre os dois blocos. Sob o lema “Promover a paz e a prosperidade através de um multilateralismo eficaz”, a cimeira destacou a necessidade de um multilateralismo mais inclusivo, capaz de dar maior voz à África nas instâncias globais de decisão. Lourenço enfatizou a importância de mecanismos justos de reestruturação da dívida e soluções inovadoras de financiamento para o desenvolvimento africano.

No âmbito da estabilização da região dos Grandes Lagos, Lourenço teve um papel crucial na mediação do conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC). Através do Processo de Luanda, ele trabalhou para reduzir hostilidades entre a RDC e Ruanda, promovendo um diálogo contínuo e coordenando esforços com organizações regionais. Seu envolvimento foi reconhecido pelo Conselho de Paz e Segurança da UA, e mesmo diante de desafios, ele conseguiu manter canais de diálogo abertos.
Um dos pontos altos de sua presidência foi a assinatura de um Acordo de Paz entre a RDC e Ruanda em dezembro de 2025, em Washington, D.C. Este evento, que contou com a presença de Lourenço e do então presidente dos EUA, Donald Trump, simbolizou um avanço significativo na diplomacia africana e destacou o papel da UA na resolução de conflitos. A cerimônia foi um marco na afirmação da UA como um ator diplomático credível e influente.

Além de suas iniciativas de paz, Lourenço também participou da Cimeira Mundial de Governos 2026 no Dubai, onde defendeu a valorização do capital humano e a necessidade de investimentos estruturantes em África. Sua presença no fórum global reforçou a visibilidade da UA em debates sobre liderança e inovação governativa, além de lançar a “Cimeira Global de Investimento em África”, uma plataforma destinada a mobilizar investimentos para o continente.
Apesar de seus sucessos, o mandato de Lourenço não foi isento de desafios. A necessidade de reformas no sistema financeiro internacional e a busca por soluções sustentáveis para os problemas africanos foram questões recorrentes. Ele enfrentou críticas sobre a eficácia das iniciativas da UA e a implementação de políticas que realmente beneficiassem os países membros.
Ao longo de seu mandato, Lourenço reiterou a importância de que a África lidere suas próprias soluções para os conflitos, mas sempre em cooperação com a comunidade internacional. Essa visão consolidou a imagem da UA como um ator diplomático que não apenas busca a paz, mas também se posiciona como um parceiro indispensável na governança global.
Em fevereiro de 2026, ao final de seu mandato, Lourenço deixou um legado de diplomacia ativa e equilibrada, tendo promovido a integração africana e fortalecido as relações com parceiros internacionais. Sua presidência foi marcada por um compromisso com a paz e o desenvolvimento, refletindo a determinação de Angola em ser um líder no continente africano.
A trajetória de João Lourenço na presidência da União Africana é um testemunho de sua visão e habilidade diplomática, destacando a importância de uma África unida e forte diante dos desafios globais.

