Por: Josué Pereira Bravo
José Eduardo dos Santos tinha feito uma lista de potenciais sucessores na qual se destacava Fernando da Piedade Dias dos Santos. Isso em 2008.

Depois do escândalo da empresa Arosfram na qual Nandó era sócio e aparece citado num relatório dos EUA, como elemento principal no financiamento ao terrorismo e incluído numa lista de pessoas interditas de entrar nos EUA, José Eduardo dos Santos, resolveu não continuar a apostar em Nandó.
Em 2008, logo depois das eleições, José Eduardo dos solicitou que o Burau Político lhe apresentasse uma lista de pontenciais candidatos à sua sucessão e foi assim que passaram a ser apontados os nomes de António Pitra Neto, Bornito de Sousa Baltazar Diogo, Virgílio de Fontes Pereira e Carlos da Silva Feijó.




Pitra Neto e Bornito de Sousa descartaram numa primeira fase mas, José Eduardo dos Santos disse que era preciso não apenas preparar a sucessão dele, mas daqueles que viriam a seguir ao que lhe sucederia e Bornito de Sousa disse numa reunião depois das eleições de 2008 que o camarada presidente deveria preparar um figurino para os desafios eleitorais de 2012, começando pela direcção do partido e nessa altura ninguém da lista que tinha sido proposta queria aceitar e numa reunião, Virgilio Fontes Pereira, sugeriu o nome de António Paulo Cassoma e de António Pitra Neto.
Paulo Cassoma tornou-se secretário geral do partido Mas creio que foi para secretário geral e mais tarde Pitra Neto vice-presidente e em 2011 e o Cassoma é afastado de secretário geral e retoma o lugar Dino Matross.
Com a aprovação da nova constituição em 2010, José Eduardo dos Santos propôs que ele fizesse o seu último mandato, para que também fosse avaliada o funcionamento do Estado com o modelo novo da constituição e resolveu então que devia então ensaiar uma espécie de sucessão com novos actores como tinha proposto Bornito de Sousa e uma vez que o Pitra Neto continuava a mostrar-se indisponível.
Virgílio Fontes Pereira, Carlos da Silva Feijó, Jú Martins, estariam na linha de sucessão de quem lhe sucederia e propôs que se deveria também contar com o camarada Manuel Vicente. Ainda assim, nos bastidores muitos lhe propunham que apostasse José Filomeno dos Santos “Zeno” que também estava indisponível.
Quando surge o escândalo de Manuel Vicente com o procurador português, as contas de José Eduardo dos Santos se complicavam porque numa primeira fase a intenção era fazer o Manuel Vicente presidente da república e o Pitra Neto vice presidente, dada a sua longa experiência na administração pública e a sua carreira académica.


Quando se chega em 2014, diante do cenário já não previsto, o Pitra Neto descarta a possibilidade de fazer parte da presidência, uma vez que Manuel Vicente já não seria e foi assim que o José Eduardo dos Santos recupera João Lourenço para ministro da defesa e entra nas contas da sucessão.
José Eduardo dos Santos em 2016 propôs João Lourenço como vice-presidente do partido e depois do congresso, ninguém queria trabalhar com ele.
Em 2017, José Eduardo dos Santos propôs como cabeça de lista João Lourenço e vice presidente Bornito de Sousa, mesmo assim a tensão continuou e por duas vezes já depois de João Lourenço aparecer várias vezes publicamente como candidato presidencial às eleições, devido às fricções internas, José Eduardo dos Santos propôs que se mudasse o João Lourenço pelo Bornito de Sousa, mas o Bureau Político aconselharam José Eduardo dos Santos que já não se podia fazer uma mudança num momento em que o povo todo já tinha conhecimento de que João Lourenço era o candidato.


Durante a campanha eleitoral e nos bastidores , João Lourenço dava a entender nas interlinhas que deveria perseguir o falecido presidente José Eduardo dos Santos, sua família e os colaboradores próximos mas o mesmo dizia que era calúnia e já estava decidido.

José Eduardo dos Santos mais tarde arrependeu-se e morreu arrependido dessa aposta que fez e acabou por dar razão a alguns membros do Bureau Político que o tinham alertado do perigo de João Lourenço ser o seu substituto.

